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Plano da Shein de abrir fábrica no Brasil fracassa após fornecedores rejeitarem exigências.

Em 2023, a Shein fez promessas ousadas de transformar o Brasil em um polo de manufatura da América Latina, prometendo investir US$ 150 milhões para fazer parcerias com 2 mil fábricas locais e criar 100 mil empregos até 2026. Essa visão fracassou em grande parte, com a Reuters reportando que apenas um fabricante confirmado—a GB Manufacturing no estado do Espírito Santo, no sudeste do país—ainda está produzindo roupas para a gigante do fast fashion.

Após anunciar parcerias com 336 fábricas brasileiras até o final de 2023, o progresso da empresa estagnou quando fornecedores locais consideraram impossível atender às exigências da Shein de cortes drásticos de preços e prazos de entrega acelerados em meio às rígidas regulamentações trabalhistas do Brasil, alta carga tributária e desafios logísticos de um país vasto com mais de 200 milhões de habitantes.

O Que Deu Errado

“Trabalhar no Brasil é diferente de trabalhar na China. O Brasil tem estruturas regulatórias e padrões muito diferentes,” disse Fernando Pimentel, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, que representa mais de 25.000 empresas, em entrevista à Reuters. “Lamento que não tenha dado certo.”

Seis proprietários de fábricas entrevistados pela Reuters disseram que encerraram suas parcerias depois que a Shein exigiu cortes de preços de até 30% e prazos de entrega mais apertados. Januncio Nobrega de Azevedo, proprietário da Nobre Confecções, uma empresa com 59 funcionários no nordeste do Brasil, disse que atender às metas de preço da Shein teria exigido o uso de tecidos de qualidade inferior. Após produzir para a Shein por apenas seis meses, ele ficou com excesso de material que teve que vender com prejuízo.

“Eu disse a eles: ‘Olha, infelizmente não consigo me adequar ao modelo de negócios de vocês'”, disse Azevedo.

José Medeiros de Araujo, cuja fábrica Zaja com 128 funcionários havia considerado adicionar 50 vagas para atender aos pedidos da Shein, disse que a varejista repentinamente exigiu prazos de entrega mais rápidos e cortes de preços após um pedido inicial em meados de 2023. Em um caso, a Shein pediu que ele reduzisse o preço no atacado de uma saia de 50 reais para 38 reais. “O plano era crescer,” ele disse. “Mas, para nós, aqui no Nordeste, não era viável.”

Shein Reconhece Revés

Em comunicado oficial, a Shein admitiu que a iniciativa não saiu conforme o planejado. “A produção no Brasil exigiu tempo para amadurecer, e logo ficaram evidentes as diferenças na infraestrutura empresarial e industrial”, afirmou a empresa. “Como resultado, o progresso tem sido mais lento e desafiador.”

O revés ocorre enquanto a Shein busca sua estreia na bolsa de valores, tendo solicitado IPO em Hong Kong em 2025 após sua proposta de listagem em Londres ter sido barrada pelos reguladores chineses. Apesar das dificuldades na fabricação, o Brasil permanece como o segundo maior mercado da Shein depois dos Estados Unidos, representando cerca de US$ 3,5 bilhões em receita—7% dos estimados US$ 48,6 bilhões em vendas globais da empresa—de acordo com a Coresight Research.

Olhando para o futuro, a Shein disse que adotará uma estratégia “mais seletiva” para fortalecer relacionamentos com “as fábricas mais capacitadas”, observando que sua plataforma ainda apoia mais de 45.000 empreendedores e vendedores locais no Brasil.

​#sheinbrasil

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