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Novas regras do Pix entram em vigor e permitem rastrear dinheiro de golpes.

Entraram em vigor nesta segunda-feira (2) as novas regras de segurança do Pix definidas pelo Banco Central, com foco na recuperação mais rápida de valores transferidos de forma fraudulenta. A principal mudança é a implementação obrigatória do MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução), que permite rastrear o dinheiro mesmo quando ele é rapidamente transferido para múltiplas contas em sequência — prática comum em crimes financeiros.

Antes, a devolução só podia ser feita a partir da primeira conta que recebia o valor, mas golpistas costumavam pulverizar os recursos em segundos para outras contas, dificultando a recuperação. Segundo dados do próprio Banco Central, em 2025 foram recuperados em média apenas 9,3% dos valores contestados. Com o novo modelo, especialistas estimam que as mudanças possam reduzir em até 40% o sucesso dos golpes envolvendo o Pix.

Como funciona o MED 2.0

O novo mecanismo permite o rastreamento em cadeia dos valores transferidos, bloqueando recursos mesmo após serem redistribuídos para contas intermediárias, conhecidas como “contas de passagem”. “Agora, o sistema é obrigado a rastrear o caminho que o valor percorreu em cadeia, ainda que tenha sido repassado para várias contas sucessivas”, afirmou Danilo Porto, CTO da QI Tech, ao InfoMoney.

O Banco Central estima que os valores possam ser recuperados em até 11 dias após a contestação, prazo significativamente menor que o praticado anteriormente. Desde outubro de 2025, todas as instituições financeiras são obrigadas a disponibilizar um botão de contestação diretamente em seus aplicativos, permitindo que vítimas registrem pedidos de devolução sem necessidade de atendimento humano.

Período de adaptação e fiscalização

Embora a obrigatoriedade formal tenha começado nesta segunda-feira, o Banco Central estabeleceu um período de “tolerância regulatória” até 10 de maio de 2026. Nesse intervalo, instituições que não tiverem implementado completamente o MED 2.0 não estarão sujeitas a penalidades, dando tempo para ajustes técnicos e estabilização dos sistemas.

A medida chega em um momento de alta nos golpes digitais. Segundo a Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP), o Brasil registrou 28 milhões de fraudes envolvendo o Pix entre janeiro e setembro de 2025, com pessoas acima de 50 anos representando 53% das vítimas.

O que o usuário deve fazer

Em caso de golpe, o correntista deve contestar a transação o quanto antes pelos canais oficiais do banco. A instituição de origem comunica a recebedora em até 30 minutos, os recursos são bloqueados na conta suspeita, e as instituições analisam o caso. Se confirmada a fraude, o valor é devolvido. O BC reforça que o MED deve ser acionado apenas em casos de fraude, suspeita de fraude ou erro operacional — não se aplica a transferências feitas para destinatários errados por erro de digitação do próprio usuário.

#pix #med2.0 #bc

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