Senado instala grupo para fiscalizar caso Banco Master.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vai instalar nesta quarta-feira (4) um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre irregularidades no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. A iniciativa, do presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ocorre em meio a crescentes discussões sobre a ampliação da fiscalização do BC sobre fundos de investimento, após revelações de fraudes estimadas em R$ 12 bilhões.
A Polícia Federal investiga operações fraudulentas realizadas pelo banco, incluindo a suposta venda de carteiras de crédito inexistentes do Master para o Banco de Brasília (BRB). A pesquisa aponta que o BRB transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Master no primeiro semestre de 2025 para a compra de carteiras de crédito que, segundo os pesquisadores, simplesmente não existiam.
Composição e Atribuições do Grupo
O grupo será composto pelos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Damares Alves (Republicanos-DF), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Fernando Farias (MDB-AL), Leila Barros (PDT-DF) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).
“O grupo reforça o compromisso do Senado com a transparência e a integridade do sistema financeiro nacional, procurando garantir que quaisquer irregularidades sejam devidamente apuradas”, afirmou o senador Eduardo Braga em nota. O colegiado terá autonomia para convocar autoridades, solicitar documentos e propor novas legislações relacionadas ao tema.
PT Propõe Ampliar Supervisão do Banco Central
Paralelamente, a bancada do PT na Câmara apresentou o projeto de lei nº 46/2026, de autoria do deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), que amplia o papel do Banco Central na supervisão de fundos de investimento considerados de risco sistêmico. A proposta formaliza ideias defendidas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que defende a adoção do modelo “Twin Peaks” de regulação.
O texto estabelece que o BC passe a exercer controle e fiscalização prudencial sobre fundos classificados como de natureza parabancária, mantendo as competências da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre conduta de mercado e proteção ao investidor. A CVM, entretanto, rebateu a proposta, afirmando que sua competência “é estabelecida em leis” e descrevendo eventual transferência como “retrocesso de décadas”.

Contexto do Caso
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, citando “graves evidentes às normas” do sistema financeiro nacional. Daniel Vorcaro, proprietário da instituição, foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Em janeiro de 2026, uma segunda fase da operação cumpriu 42 mandatos de busca e apreensão, com bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões. Em depoimento recente à Polícia Federal, um diretor do BC revelou que o Mestre tinha apenas R$ 4 milhões na caixa antes da liquidação, situação incompatível com uma instituição de médio porte.
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