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BRB negocia empréstimo do FGC após perdas com Banco Master.

O Banco de Brasília (BRB) está em negociações para obter um empréstimo emergencial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir perdas bilionárias decorrentes de transações com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. A medida busca atender à determinação do BC de provisionar R$ 2,6 bilhões no balanço do banco estatal, enquanto as investigações da Polícia Federal apontam possíveis envolvimentos de autoridades nas negociações que levaram à crise.

Plano de capitalização e negociações com o FGC

Em entrevista nesta sexta-feira (23), o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou as tratativas com o FGC para obter uma linha de crédito. “Nós contribuímos e somos associados ao FGC. Todos os bancos que precisam de capital, o primeiro lugar que vão é no FGC, que tem taxas de juros mais baratas e prazo longo”, afirmou Souza à imprensa. O executivo garantiu que “o BRB não vai quebrar, não vai ter intervenção, não vai ter liquidação”.

Segundo o G1, para conseguir o empréstimo, o Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do BRB com 71,92% do capital, terá que oferecer garantias ao FGC, incluindo ações de empresas estatais. O plano de capitalização em elaboração também contempla a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário com imóveis do GDF e possíveis transportes diretos de acionistas. Qualquer proposta precisará de aprovação da Câmara Legislativa do DF.

O prazo para apresentar uma solução ao BC é março de 2026, quando o balanço referente ao ano passado precisa ser divulgado.

Investigações envolvem envolvimento político

Depoimentos à Polícia Federal revelaram a proximidade entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o governador Ibaneis Rocha. Segundo transcrição obtida pelo G1 e publicada pela CNN Brasil, Vorcaro afirmou ter se reunido com Ibaneis em diversas graças entre 2024 e 2025, tanto em sua residência quanto na casa do governador, para discutir a venda do Master ao BRB.

Ibaneis admitiu os encontros, mas negou ter tratado da operação. “Estive com ele algumas vezes e nunca tratou sobre o banco. Toda operação de compra foi tratada diretamente com o Paulo Henrique”, disse o governador, referindo-se ao ex-presidente do BRB, afastado durante a Operação Compliance Zero da PF em novembro.

O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master entre 2024 e 2025 — valores que o Ministério Público considera terem sido repassados ​​com fingimentos de gestão fraudulenta. A PF investiga se a investigação foi feita por “pura camaradagem” para “abafar a fiscalização” do BC, segundo apuração do Estadão.

Crise do FGC e impacto no sistema financeiro

Enquanto o BRB busca socorro do FGC, o fundo já desembolsou R$ 26 bilhões para ressarcer credores do Banco Master — o maior resgate de sua história. O pagamento total previsto chega a R$ 41 bilhões, consumindo cerca de um terço do patrimônio do FGC, de R$ 122 bilhões.

A crise do Master também atingiu o Will Bank, pertencente ao mesmo conglomerado, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo BC nesta semana, gerando garantias adicionais de R$ 6,3 bilhões pelo FGC.

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