Ibovespa tem maior alta diária desde 2023 após Trump recuar em tarifas.

O Ibovespa registrou na quarta-feira (21) a maior alta diária desde abril de 2023, fechando aos 171.816,67 pontos após avanço de 3,33%. A escalada histórica, impulsionada pelo forte ingresso de capital estrangeiro e pelo recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na imposição de tarifas contra países europeus, levou o índice a romper pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos em uma única sessão.
Recuo de Trump alivia tensões globais
O principal catalisador da alta veio do exterior. Trump anunciou, em publicação na sua rede social Truth Social, que chegou a um entendimento preliminar com a Otan sobre a Groenlândia e, por isso, não aplicará as tarifas de 10% que estavam previstas para entrar em vigor em 1º de fevereiro contra oito países europeus. O republicano havia anunciado as tarifas no sábado (17) contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, em retaliação à oposição desses países ao plano americano de adquirir o território no Ártico.
“O mercado negocia em forte alta com a entrada do fluxo estrangeiro que tem saído dos Estados Unidos diante do aumento da incerteza gerada pelo presidente Donald Trump”, explicou Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora.
Fluxo estrangeiro e blue chips em máximas históricas
O volume financeiro da sessão somou R$ 39,84 bilhões, bem acima da média de R$ 28,99 bilhões registrada em 2026. Dados do Banco Central divulgados na quarta-feira mostraram que o Brasil registrou entrada líquida de US$ 1,544 bilhão em janeiro até o dia 16, com a via financeira acumulando quase US$ 3 bilhões no ano.
As ações de maior peso no índice renovaram máximas históricas. O Itaú Unibanco disparou 4,38%, fechando a R$ 41,67, enquanto a Vale subiu 3,02%, a R$ 82,50, liderando o apetite por risco com giro financeiro de R$ 6,575 bilhões — o maior do papel em um ano. A Petrobras avançou 4,59% nas ações ordinárias e 3,53% nas preferenciais.

Perspectivas e dólar em queda
O dólar encerrou em queda de 1,13%, cotado a R$ 5,3209, no menor patamar desde início de dezembro. No ano, o Ibovespa acumula alta de 6,64%, com entrada líquida de estrangeiros de R$ 7,6 bilhões até o dia 19. Segundo o JPMorgan, 2026 pode ser mais um ano de fortes fluxos de capital externo para ações brasileiras, com o ciclo de afrouxamento monetário esperado no Brasil adicionando “outra camada de otimismo” ao mercado.
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