Ministro da Fazenda do Brasil propõe que Banco Central assuma supervisão de fundos.

O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, propôs nesta segunda-feira transferir a regulação e supervisão de fundos de investimento da CVM, a autarquia de valores mobiliários do país, para o Banco Central, citando a necessidade de fortalecer a supervisão do sistema financeiro após o colapso do Banco Master.
Em entrevista ao portal de notícias local UOL, Haddad disse que a proposta está atualmente em discussão dentro do governo, envolvendo o Banco Central, a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Gestão. A CVM, que atualmente supervisiona fundos de investimento no Brasil, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Crise do Banco Master
A proposta surge enquanto a polícia federal continua investigando supostas irregularidades no Banco Master, um credor de médio porte que o banco central liquidou em novembro de 2025 após enfrentar crescentes pressões de liquidez. Os investigadores identificaram o uso de fundos de investimento com estruturas complexas como parte do esquema de fraude.
Haddad reconheceu que as questões envolvendo o Banco Master são consideráveis, mas enfatizou que a situação não representa um risco sistêmico para a estabilidade financeira do Brasil. O banco representava menos de 1% do sistema bancário brasileiro, mas chamou atenção por seu rápido crescimento através de dívidas de alto rendimento comercializadas via plataformas de investimento.
Na semana passada, a polícia federal deflagrou a segunda fase da investigação, cumprindo 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e bloqueando ativos que excedem 5,7 bilhões de reais, ou cerca de US$ 1 bilhão. As autoridades estão investigando suspeitas de crimes incluindo fraude financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Os promotores esperam que a análise possa levar de quatro a seis meses.
O banco central também determinou a liquidação da corretora REAG, agora conhecida como CBSF, em 15 de janeiro, citando “violações graves” às regras do sistema financeiro em conexão com o colapso do Banco Master.
Desafios Herdados
Haddad observou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, que assumiu o cargo em janeiro de 2025 após ser indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, herdou vários desafios de seu antecessor Roberto Campos Neto. Estes incluem a situação do Banco Master e o que Haddad descreveu como a desestabilização das expectativas de inflação, que ele atribuiu a declarações da liderança anterior do Banco Central.
Sobre política monetária, Haddad expressou sua convicção de que há espaço para o Banco Central reduzir as taxas de juros, que atualmente se encontram em 15%, uma alta de quase 20 anos, inalterada desde julho, enquanto os formuladores de políticas trabalham para controlar a inflação persistente. O ministro da Fazenda também indicou que o Banco Central está trabalhando para diversificar e reconstruir suas reservas cambiais.
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