Atividade econômica do Brasil dispara acima das previsões em novembro.

A atividade econômica do Brasil cresceu mais do que qualquer analista havia previsto em novembro, entregando mais uma surpresa positiva que reforça a força da maior economia da América Latina e complica as perspectivas do banco central para começar a reduzir os custos de empréstimo.
O índice de atividade econômica IBC-Br do Banco Central do Brasil, um indicador aproximado do produto interno bruto, aumentou 0,68% em relação a outubro, segundo dados publicados na sexta-feira. O resultado superou todas as estimativas em uma pesquisa da Bloomberg, que tinha uma previsão mediana de 0,4%. Foi o maior ganho mensal desde março. Na comparação ano a ano, o índice subiu 1,25%.
Os dados mais fortes do que o esperado impulsionaram ganhos nos ativos brasileiros. O Ibovespa subiu para um novo recorde de 165.568 pontos na quinta-feira, ampliando os avanços à medida que a força nos setores financeiro e de utilities superou a fraqueza nos setores ligados a commodities. Os bancos lideraram o rali, apoiados pela atividade doméstica resiliente e pela postura monetária restritiva que continua a sustentar as margens.
O real brasileiro se fortaleceu em direção a 5,36 por dólar, atingindo máximas de seis semanas em meio ao cenário econômico mais firme. Dados separados do IBGE mostraram que as vendas no varejo subiram 1,0% mês a mês e 1,3% ano a ano em novembro, reforçando a confiança na demanda doméstica.
Implicações para a Taxa de Juros
Os dados aumentam a complexidade enfrentada pelo Comitê de Política Monetária do banco central, conhecido como Copom, que manteve a taxa básica Selic em 15%—a maior em 19 anos—por quatro reuniões consecutivas. Embora a inflação anual tenha terminado 2025 em 4,26%, dentro da meta oficial e melhor do que os formuladores de política antecipavam, as expectativas acima da meta e o crescimento resiliente deixaram os dirigentes cautelosos quanto a sinalizar cortes na taxa.
Em sua reunião de dezembro, o banco central manteve uma linguagem dura, afirmando que “manter a taxa de juros no patamar atual por um período muito prolongado é apropriado” e enfatizando que “não hesitará em retomar o ciclo de alta da taxa se apropriado”. O presidente do banco central, Gabriel Galipolo, recusou-se a fornecer orientação específica antes da reunião de 28 de janeiro, dizendo que os dirigentes preferem aguardar dados adicionais.
A maioria dos economistas consultados pelo banco central agora espera que o afrouxamento comece em março e não em janeiro, embora a decisão permaneça “finamente equilibrada” de acordo com analistas da Capital Economics. A empresa projeta que a Selic pode cair para 11,25% até o final de 2026, à medida que o crescimento do PIB decepcionar e a inflação diminuir, embora essa previsão enfrente novo escrutínio após os dados de sexta-feira.
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