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TCU mira lista de credores do Banco Master após recuar de inspeção no BC.

Quase dois meses após a liquidação do Banco Master, 1,6 milhão de investidores ainda aguardam o ressarcimento de cerca de R$ 41 bilhões garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) redesenha sua atuação no caso e mira a futura lista de credores do banco. O tribunal estuda auditar especialmente os créditos que superam o teto de R$ 250 mil coberto pelo FGC, numa tentativa de manter controle sobre um processo com potencial impacto fiscal e político.​

TCU recua de inspeção no BC e foca em lista de grandes credores

A atuação do TCU começou com a decisão do relator do caso, ministro Jhonatan de Jesus, que determinou uma inspeção no Banco Central (BC) para avaliar se houve falhas na supervisão do Banco Master e na decisão de decretar a liquidação extrajudicial em 18 de novembro de 2025. A medida atendeu a representação do Ministério Público junto ao TCU, que apontou possível “omissão e insuficiência de reação tempestiva” da autoridade monetária.​

Diante da forte reação do BC e de críticas sobre interferência na autonomia da política monetária, a cúpula do tribunal esfriou a ofensiva direta e uma reunião entre BC e TCU foi marcada para esta segunda-feira (12), em Brasília, para redefinir os limites da fiscalização.​

Paralelamente, ministros e interlocutores do TCU passaram a defender uma estratégia alternativa: acompanhar e, se necessário, auditar a futura lista de credores do Banco Master com valores acima de R$ 250 mil, que não serão integralmente cobertos pelo FGC. A ideia é verificar se esses grandes investidores não serão prejudicados por eventuais manobras na liquidação, sem questionar diretamente a decisão do BC, que só poderia ser revista pelo Supremo Tribunal Federal, como tem ressaltado o presidente do TCU, Vital do Rêgo.​

FGC pronto para indenizar, mas ainda sem a lista do liquidante

Do outro lado, o FGC afirma estar com recursos provisionados e estrutura operacional pronta, mas depende da lista consolidada de credores, que deve ser enviada pela EFB Regimes Especiais de Empresas, empresa nomeada pelo BC como liquidante do Banco Master. Essa base de dados precisa reunir os saldos de aplicações elegíveis – como CDBs e letras de crédito – e identificar quem tem direito à garantia de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.​

Segundo o fundo, o pagamento só pode começar após o recebimento e validação dessa lista, o que ainda não ocorreu. Em nota, o FGC explica que, uma vez com a base de credores em mãos, abre o sistema em até 24 horas para que pessoas físicas solicitem o ressarcimento via aplicativo e empresas o façam pelo site; após a solicitação correta, o dinheiro costuma cair em até dois dias úteis.​

Em liquidações recentes, o intervalo entre a decretação e o início dos pagamentos variou de 14 a 40 dias, mas, no caso Master, o prazo já se aproxima de dois meses, pressionando o BC, o liquidante e o próprio FGC. Enquanto o fundo se prepara para a maior operação de sua história, o TCU tenta garantir espaço para fiscalizar a fatia não coberta pela garantia, transformando a futura lista de credores em peça central da disputa em torno do desfecho do caso Master.​

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