Ações venezuelanas disparam após queda de Maduro e acordo de petróleo com os EUA.

O mercado de ações da Venezuela disparou nos dias seguintes à captura do presidente Nicolás Maduro por forças americanas em 3 de janeiro, com o índice IBC da Bolsa de Valores de Caracas subindo 50% na terça-feira e adicionando outros 16% na segunda-feira — um ganho combinado de aproximadamente 73% desde a operação militar. A alta reflete o otimismo dos investidores quanto a possíveis reformas econômicas, embora céticos alertem que oportunidades significativas permanecem distantes sem uma transição política.
Reação do Mercado e Acordo de Petróleo Impulsionam Entusiasmo
O índice IBC fechou a 3.896,77 pontos na terça-feira, estendendo uma alta de um mês que viu o benchmark subir 162% e ganhar quase 3.000% no último ano. Os volumes de negociação permanecem baixos na pequena bolsa, que lista cerca de 15 empresas e registra negociações diárias abaixo de US$ 1 milhão, amplificando as oscilações de preço.
O presidente Donald Trump anunciou na terça-feira que a Venezuela exportaria até US$ 2 bilhões em petróleo bruto — entre 30 milhões e 50 milhões de barris — para os Estados Unidos a preços de mercado. O secretário de Energia Chris Wright supervisionará a execução do acordo, com o petróleo sendo enviado diretamente de navios para portos americanos. O acordo marca uma mudança para o petróleo venezuelano, anteriormente destinado principalmente à China.
A firma de investimentos Teucrium protocolou documentação junto à Securities and Exchange Commission na segunda-feira para o primeiro fundo negociado em bolsa focado na Venezuela, apenas dois dias após a captura de Maduro. O Teucrium Venezuela Exposure ETF acompanharia empresas que obtêm pelo menos 50% da receita de operações venezuelanas.
Vozes Cautelosas em Meio à Corrida
Nem todos os investidores estão convencidos. Elliot Dornbusch, CEO da CV Advisors, que administra US$ 15 bilhões em ativos, chamou o interesse repentino de “ridículo” em entrevista à Bloomberg. “Todo mundo e mais um pouco está ligando para seu consultor financeiro, para seu family office perguntando ‘onde devemos investir?'”, disse Dornbusch, que cresceu na Venezuela. “Eu fico tipo, vocês enlouqueceram?”
Em carta aos investidores, Dornbusch argumentou que “a crise no cerne da Venezuela é profunda e sistêmica” e “não pode ser resolvida simplesmente removendo um único líder”. A dívida pendente da Venezuela fica entre US$ 150 bilhões e US$ 170 bilhões, incluindo US$ 60 bilhões em títulos em default, com o Fundo Monetário Internacional estimando o PIB do país em aproximadamente US$ 82,8 bilhões—criando uma relação dívida/PIB próxima de 200%.
O economista Tyler Cowen observou em seu blog que “em termos de valor esperado, o povo da Venezuela está muito melhor agora”, acrescentando que negar essa realidade seria “bastante delirante”. O mercado de títulos da Venezuela também se recuperou, com notas de referência sendo negociadas perto de 43 centavos de dólar, mais que o dobro desde agosto.
Maduro e sua esposa Cilia Flores se declararam inocentes das acusações federais de tráfico de drogas durante sua audiência de acusação em 5 de janeiro em Manhattan. Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro, assumiu o papel de presidente interina, enquanto a líder da oposição María Corina Machado pediu que Edmundo González seja reconhecido como o líder legítimo da Venezuela.
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