Bosch mira receita de 1 bilhão de euros com robôs humanoides.

Bosch mira receita de 1 bilhão de euros com robôs humanoides.

A gigante industrial alemã Bosch anunciou na quarta-feira que está intensificando seus investimentos em robótica humanoide, com o objetivo de gerar um bilhão de euros adicionais em receita anual com o setor, enquanto seu tradicional negócio automotivo continua a enfrentar pressões competitivas e de preços.

Um Novo Motor de Crescimento

O CEO Stefan Hartung argumentou que, com o advento dos robôs humanoides, a demanda por componentes e soluções da Bosch está crescendo. A empresa pretende fornecer hardware, software e tecnologia de sensores para o emergente setor de humanoides, aproveitando sua expertise em manufatura e suas capacidades de automação industrial já consolidadas.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que a parceira da Bosch, a empresa alemã de robótica Neura Robotics, revelou uma rodada de financiamento Série C de até US$ 1,4 bilhão — uma das maiores já realizadas por uma empresa europeia de robótica. A Bosch participou como investidora ao lado de Nvidia, Amazon, Qualcomm, Tether, Schaeffler, o Banco Europeu de Investimentos e outros.

Trajes de Sensores e Dados de Treinamento

A parceria Bosch-Neura, anunciada pela primeira vez em janeiro de 2026, tem como foco a geração de dados de treinamento do mundo real para robôs humanoides. Milhares de trabalhadores nas instalações de produção globais da Bosch vestem trajes de sensores avançados para capturar dados de movimento, ambiente e fluxo de trabalho que alimentam a plataforma de IA física da Neura. A Bosch também contribui para o desenvolvimento de hardware e a industrialização dos robôs da Neura, desde a otimização dos fluxos de produção até a expansão da fabricação.

Dificuldades no Setor Automotivo

A aposta na robótica surge em um momento em que a divisão automotiva da Bosch — ainda a maior fornecedora de peças para automóveis do mundo — enfrenta dificuldades persistentes. A empresa registrou uma margem operacional de apenas 1,8% em 2025, bem abaixo de sua meta, e adiou o objetivo de atingir uma margem de 7% para pelo menos 2027. Hartung alertou repetidamente sobre a “concorrência predatória” no setor automotivo, impulsionada por barreiras comerciais, queda de preços e a crescente competição dos fabricantes chineses.

Apesar desses desafios, Hartung disse à Reuters na quarta-feira que a Bosch continua no caminho certo para atingir suas metas financeiras de 2026: crescimento de vendas entre 2% e 5% e margem operacional entre 4% e 6%.

#Bosch #robôshumanoides

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