A CEO do BT Group, Allison Kirkby, alertou na quarta-feira que o boom da inteligência artificial está gerando escassez de chips e deve elevar os preços dos celulares, com empresas como Apple e Samsung sendo esperadas para reajustar os preços de seus aparelhos. O alerta foi feito durante a divulgação dos resultados anuais da BT, que também apresentou um plano ambicioso de corte de custos.

“A escassez de chips agora é generalizada em vários setores, criando pressão de alta nos preços de determinadas categorias de produtos, além do setor de telecomunicações”, disse Kirkby em uma teleconferência, segundo o Financial Times. Ela acrescentou que os fabricantes de smartphones premium têm “grande probabilidade de repassar as pressões de custo aos consumidores”, embora aumentos de preços perceptíveis ainda não tenham se concretizado.
Uma Crise Que Vem se Formando Há Meses
O alerta de uma das maiores empresas de telecomunicações da Grã-Bretanha se soma a um coro de vozes do setor que vêm sinalizando a crise desde o final de 2025. O principal fator é a expansão dos data centers de IA. As grandes empresas de tecnologia, incluindo Alphabet, Microsoft, Meta e Amazon, despejaram centenas de bilhões em infraestrutura de IA, comprando chips de memória e aceleradores da Nvidia — deixando os fabricantes de eletrônicos de consumo brigando pelo que resta do estoque.
A empresa de pesquisa de mercado IDC prevê que as remessas de smartphones podem cair quase 13% em 2026, enquanto os preços médios de venda podem subir até 14%, configurando a maior contração anual em mais de uma década. A Counterpoint Research também alertou que os preços de memória podem aumentar mais 40% até o segundo trimestre de 2026, acrescentando entre 8% e 15% aos custos de componentes.
Mercados Intermediários e Emergentes São os Mais Afetados
O cofundador e CEO da Nothing, Carl Pei, soou o alarme em janeiro, escrevendo no X que os consumidores enfrentarão “uma escolha impossível em 2026: pagar significativamente mais por celulares novos ou se contentar com especificações inferiores”. Ele alertou que os custos de memória triplicaram em alguns casos e que a demanda dos data centers de IA é a principal culpada, com chips DRAM e NAND sendo alocados preferencialmente para grandes empresas de nuvem em detrimento dos fabricantes de smartphones.
O impacto recai de forma desproporcional sobre os dispositivos intermediários e populares, onde as margens são estreitas e os fabricantes não conseguem absorver os custos mais elevados dos componentes. Mercados como a Índia, onde smartphones abaixo de US$ 100 respondem por grande parte das vendas, enfrentam pressão especialmente intensa, à medida que esse segmento se torna inviável economicamente. A IDC prevê que a escassez de memória persista até meados de 2027.
A BT afirmou que as possíveis escassez e os consequentes aumentos de preços contribuirão para uma queda em sua própria receita de consumo no próximo ano, conforme os compradores adiam a troca de aparelhos.
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