O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, aproveitou sua participação na CPI do Crime Organizado, na quarta-feira (8), para fazer um apelo direto aos senadores pela aprovação da PEC 65/2023, que amplia a autonomia técnica, orçamentária e financeira da instituição. Em meio ao escândalo do Banco Master, Galípolo argumentou que o BC não tem estrutura suficiente para supervisionar o sistema financeiro e combater crimes como lavagem de dinheiro.

“Desde a minha sabatina, fui mudando o pedido. Pedi apoio no início, pedi ajuda e peço socorro”, declarou Galípolo aos senadores, segundo o Poder360. O presidente do BC afirmou que a PEC equipararia a autoridade monetária brasileira ao arcabouço institucional de bancos centrais de outros países.
Limitações na fiscalização
Galípolo traçou um quadro de carência na estrutura do BC. Segundo ele, a instituição perdeu um quarto de seus servidores nos últimos dez anos, contando hoje com cerca de 3.000 funcionários — contra 23.000 do Federal Reserve, nos Estados Unidos, e 13.000 do banco central indiano. “O Brasil muitas vezes tem um servidor para acompanhar 30 instituições”, disse, contrastando com o modelo europeu, onde 30 pessoas cuidam de uma única instituição.
O presidente do BC defendeu investimentos em inteligência artificial para aprimorar a fiscalização e disse que o crime organizado atua com dinheiro e tecnologia para burlar a legislação. Ele citou a fraude do Banco Master — estimada em R$ 12 bilhões — como exemplo da urgência de reforçar a supervisão, num sistema financeiro com R$ 15 trilhões em ativos.
Acordo para votação e caso Master
Após o depoimento na CPI, Galípolo se reuniu com o relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), e com o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA). De acordo com o Metrópoles, os senadores chegaram a um acordo para pautar a proposta na próxima semana, com a apresentação do relatório prevista para sexta-feira (10).
A PEC 65/2023 propõe um novo regime jurídico para o Banco Central, mantendo-o como autarquia, mas reforçando sua autonomia administrativa, financeira e orçamentária em relação ao Tesouro Nacional. O novo relatório também incluirá uma limitação nas despesas de pessoal do BC, corrigidas pelo IPCA mais 2,5%, e uma emenda do governo que amplia as ferramentas de intervenção da autoridade monetária para manter a liquidez dos mercados, segundo a CNN Brasil.
A audiência na CPI foi motivada pela liquidação do Banco Master em novembro de 2025, que resultou em um rombo recorde de quase R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Galípolo negou ter tratado do caso com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e afirmou que recebeu do presidente Lula a orientação de conduzir o assunto “de forma técnica”.
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